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A Revolução Federalista e os Poloneses |
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Após a renúncia do Mal. Deodoro, da presidência da recém instalada república, o vice- Floriano Peixoto assumiu o comando do governo do País, revogando os atos de fechamento do Congresso e demitindo todos os presidentes da província fiéis a Deodoro, o que ocasionou grande agitação política, culminando com a revolta das fortalezas de Lage e Santa Cruz, rapidamente sufocadas. Mas, as agitações continuaram. Além de tentativas de levante no Rio de Janeiro, que obrigou vários militares ao desterro na Amazônia, desencadeou-se no Rio Grande do Sul a Revolução Federalista, seguindo-se a Revolução das Armadas. Os conflitos no Rio Grande do Sul, no final do século, polarizavam-se entre os federalistas chefiados por Silveira Martins e pelo general João Nunes da Silva Tavares - Chamados de Maragatos, e os republicanos chefiados por Júlio de Castilho, que dominavam a política riograndense e eram chamados de Pica Paus. Estes últimos impunham ao Estado uma Constituição centralizadora, despertando a revolta dos federalistas, que pretendiam substituí-la por outra. Floriano, temendo a dominação do Estado pelos federalistas tornou a empossar Julio de Castilho no Governo Estadual, o qual transferiu o poder para Vitorino Monteiro, mantendo assim o apoio à Floriano. Os federalistas formaram, então um governo paralelo, empossando o general João Nunes da Silva. Em função dessa dualidade de poder, estoura a Revolução Federalista, no ano de 1893. Os federalistas (maragatos), comandados pelo general Tavares e apoiados por caudilhos, entre esses Gumercindo Saraiva - especialista em táticas de guerrilhas, infligiram graves derrotas aos republicanos. O governo de Floriano Peixoto passou então a apoiar com homens e armas, os republicanos gaúchos, o que despertou a ira dos federalistas e o interesse em estender a revolução aos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, mas não conseguiram passar do Paraná, pois Floriano confiou a resistência ao General Ernesto Gomes Carneiro na cidade da Lapa, onde, graças aos 26 dias de heróica resistência, os federalistas se viram obrigados a retornar ao Rio Grande do Sul, pois, ao sitia-la, o Governo teve tempo de enviar reforços para debelar a Revolução. Essa resistência heróica é conhecida como o "Cerco da Lapa", e a data de 09 de fevereiro de 1984 marca a assinatura da rendição da praça, após a morte do General Carneiro no dia anterior. Com vasta programação, a cidade e o Estado do Paraná comemoram o Centenário do Cerco da Lapa este ano, e entre os 500 homenageados no dia 9 de fevereiro, que lutaram ao lado dos republicanos (pica-paus), estão o cabo Alberto Dalke, Antonio Aracheski, João Sowinski, José Burda, João Servinak e muitos outros não menos importantes. Os Poloneses e os Maragatos Recém chegados à São Mateus do Sul, em 1890, logo os poloneses se viram envolvidos pelas agitações políticas em seu novo país. Inicialmente, devido às circunstâncias locais, foram obrigados a se organizarem militarmente, sob a liderança do intelectual Antonio Bodziak. Este formou a sociedade "O Atirador" (Strzelec) em 1892, reunindo 150 associados que eram treinados por Alberto Troczynski, que possuía experiência militar. Os integrantes desse grupamento, à guisa de uniforme, usavam bonés cracovianos, parecidos com os do exército de Kosciuszko - general polonês que se destacou na luta contra a Rússia. E foi assim que a Revolução Federalista os encontrou, organizados contra os abusos de poder e as injustiças das autoridades locais. Os poloneses participaram de combates no rio da Várzea e também no Cerco da Lapa, e formavam o batalhão de poloneses integrando as forças de Gumercindo Saraiva, juntamente com os batalhões dos italianos e alemães. Bodziak foi agraciado por Saraiva, com o título de "Governador do Vale do Iguaçu". Com o resultado da resistência na Lapa, e a conseqüente retirada para o sul das tropas federalistas, os membros do Batalhão de Bodziak encontraram-se em tal situação que não tinham outra escolha senão acompanhar os revoltosos. Os procedentes de São Mateus nem podiam sonhar com a volta aos seus, por que lá esperava-os a vingança dos vitoriosos, dos que fielmente serviam ao governo. Muitos foram os que morreram nessa retirada. Na travessia do rio Uruguai, morreu o companheiro de Francisco Grabowski, chamado Dombrowski, com a garganta cortada pelos governistas. Mais adiante, na batalha de Passo Fundo, muitos outros poloneses perderam a vida. Em julho de 1895, já sob o governo de Prudente de Morais, federalistas e republicanos se encontraram em Pelotas, para discutir um acordo, com a deposição das armas. Prudente de Morais garantiu o poder de Julio de Castilho e anistiou os federalistas revoltosos, pondo fim à mais longa e sangrenta das guerras civis da Primeira República. Vale, nesta oportunidade, o registro dessa participação efetiva dos imigrantes poloneses de nossa região num conflito que marcou época, e que, sem dúvida alguma delineou com maior vigor o espírito de brasilidade e o amor à nova pátria, em seus descendentes. * Fonte: "Memórias" de Francisco Grabowski que foi soldado na revolução, "Os Poloneses em São Mateus do Sul" de João Krawczyk e Jornal "Nova Notícia" de S. Mateus do Sul. * Aramis Gorniski é editor do Jornal "A Tribuna Regional" da Lapa |