Uma História de Fé

            Izolina Rodrigues Zubik nasceu em 10 de outubro de 1913, na cidade de Dom Feliciano, no Rio Grande do Sul. Desde muito cedo  aprendeu as lides de casa e do campo. Trabalhando dia e noite, tirava leite, cozinhava, limpava a casa, plantava e matava os animais para servir de alimento.

            Em suas lembranças de infância está o vento, o cheiro das flores, do mato... os cabelos longos e soltos como se fossem asas para alçar vôo a um mundo distante.

            Com o tempo cresceu, tornou-se moça, dona de belos lábios finos e cabelos cor da noite, ondulados. Contrastava de longe com as polonesas dos arredores, pois seus traços formavam um conjunto bem brasileiro, originado da típica mistura de raças.
           
            Nas idas e vindas da igreja local, certa vez, Izolina e seus pais de criação pararam a carroça para falar com dois rapazes, imigrantes poloneses que pediam emprego temporário. Um deles falava fluentemente o idioma polonês, chamando a atenção da moça que esticou o olhar e enxergou um rapaz magro, pele clara e bastante educado. Os olhares se cruzaram e a partir dali suas vidas também estavam ligadas uma a outra.
           
            Em 1932 Izolina e Estanislau Zubik, nascido em Cracóvia, Polônia, casam-se em Dom Feliciano vivendo juntos por 40 anos, quando Deus o leva para a vida eterna.
Dessa união nasceram sete filhos: Henrique, Silvia, Sofia, Maria, Iolanda, Olívia e Tadeu. Destes, vieram mais 16 netos e 13 bisnetos.
           
            Izolina atravessou um longo caminho até aqui, com muito trabalho, privações, dor, perdas insubstituíveis, mas também, teve lugar a felicidade, o amor, as alegrias familiares e pessoais. Seu humor e energia de viver a impulsionaram para frente, contra todas as dificuldades, vencendo todos os tipos de obstáculos.
           
            Mais que avó, foi a segunda mãe de dois netos, os quais ajudou a criar e não só isso, deu amor, contou histórias, abraçou nos dias frios, alimentou e consolou em muitos momentos. Com estes formou novamente uma família por mais de 20 anos.
Com os cabelos mais brancos e os problemas de saúde se agravando mudou-se para  a filha Sofia, onde vive rodeada de amor, carinho e dedicação por todos os lados.
          
            Izolina é adorada pelos bisnetos que a chamam de bisa e “caca”, que renovaram sua vida através da atenção, dos beijos e abraços que recebe constantemente deles.
           
            Sua fé é inabalável, grande como o tamanho da família que formou. Nos momentos difíceis, de legítima provação ora com fervor e é atendida por Deus e por Nossa Senhora de Chestokowa, da qual é devota, das mais variadas maneiras e sempre.
Sua lucidez aos 90 anos de idade é uma benção e um presente a cada um de nós, que tem o privilégio da sua presença e do aprendizado constante que representa.

     
            Que Deus abençoe nossa amada Izolina, sua longa e sábia vida, seu exemplo de mãe, de amor incondicional, de humildade e fé.

            Obrigada Senhor por este presente divino em nossas vidas!

            Por: Anaí Zubik Camargo de Souza (neta)
            07 de outubro de 2003